domingo, 20 de junho de 2010

Pense em seis coisas impossíveis antes do café da manhã

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“Isto é impossível.
Só se você acreditar que é.
Às vezes, eu acredito em s  eis coisas impossíveis antes do café da manhã.
Um: há uma porção para te encolher.
Dois: um bolo que pode te fazer crescer.
Três: animais que podem falar.
Quatro: gatos que podem desaparecer.
Cinco: um lugar chamado país da maravilhas.

Seis: Eu posso...”
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momento celebre no filme “Alice no País das Maravilhas”(Tim Buton, 2010), nunca escrevemos sozinho, esta mensagem tem sido repassada inúmeras vezes de forma diferente, “Ela acreditava em anjos, e, porque acreditava, eles exitiam” (Clarisse Lispector). Mas como acreditar nela é mostrada em Alice de forma mágica como todo aquele toque de cinema.


Quem já leu o livro Alice no País da Maravilhas de Lewis Carroll, percebe que em seu texto não já essa menção ao impossível, porém todo o livro fala disso o tempo todo, ou as coisas acima acontecem cotidianamente? 


Uma relação livro e filme instigante é a percepção do eu, “Quem é você?” pergunta celebre que faz o mundo girar em nossa volta em busca de um eu, de uma identidade. Deixando um pouco de lado todas as relativizações que a ciências sociais propõe para essa frase. Detenho o pensamento a importância de saber quem você é, no intuito de deter alguns valores, seja lá quais, e ter uma personalidade. 


No livro essa relação de saber “Quem é você?” está estreitamente relacionado ao relação de Alice com o Gato, pois ele sabia as direções, mas Alice não saber para onde quer ir.



“Poderia me dizer, por favor, que caminho devo tomar para sair daqui?
Isso depende bastante de onde você quer chegar – disse o Gato.
O lugar não me importa muito... – disse Alice.
Então não importa que caminho você vai tomar – disse o Gato.” 



Senão sabe onde quer ir, não existiria um caminho “certo”. Essas lições/reflexões realizados no filme e no livro busca levar ao leitor uma construção de sentimentos, pensamentos, formas de agir.


Parece só uma Alicemania. Mas penso que é mais do que isso. O redescoberto encanto pela personagem inventada por Lewis Carroll e reinventada pelo mágico olhar do cineasta Tim Burton, não é apenas fruto de uma oportunidade comercial para fazer render as histórias do tempo das tetravós. O que seduz em figuras como Alice é, no fundo, o poder inesgotável que as histórias têm de representar o humano e de ajudá-lo a ser (ajudá-lo a maturar, a compreender-se, a crescer...). Este regresso às histórias mostra como a nossa cultura hiper-tecnológica e sofisticada, mas também solitária e abstrata, tem necessidade da força concreta, da emoção e da sabedoria das grandes parábolas.


O filósofo Walter Benjamin apontou o dedo à Modernidade dizendo que ela tende a eclipsar os contadores de histórias e que isso é uma perda irreversível, pois a arte de contar é a arte de transmitir não apenas conceitos, mas experiências, exemplos, modelos. Reler, recontar as histórias adormecidas faz o público deparar-se com situações que podem estar distante do cotidiano, porém sua forma de resolver e encarar a situação é que faz da história um exemplo para cada ouvinte, leitor ou apenas espectador.


Então deixo aqui as minhas seis coisas impossíveis para acreditar antes do café da manhã.


Um: O mundo vai estar em paz em algum momento.
Dois: Vou conseguir “““entender””” a humanidade.
Três: Serei mais paciente que ontem.
Quatro: Vou me dedicar apenas uma coisa.
Cinco: Que as pessoas possam ser boas
Seis: Eu posso...

E por fim fica a a Pergunta: “Por que um corvo é parecido com uma escrivaninha?”