terça-feira, 17 de outubro de 2017

Pense em seis coisas impossíveis antes do café da manhã


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“Isto é impossível.
Só se você acreditar que é.
Às vezes, eu acredito em s  eis coisas impossíveis antes do café da manhã.
Um: há uma porção para te encolher.
Dois: um bolo que pode te fazer crescer.
Três: animais que podem falar.
Quatro: gatos que podem desaparecer.
Cinco: um lugar chamado país da maravilhas.
Seis: Eu posso...”,

momento celebre no filme “Alice no País das Maravilhas”(Tim Buton, 2010), nunca escrevemos sozinho, esta mensagem tem sido repassada inúmeras vezes de forma diferente, “Ela acreditava em anjos, e, porque acreditava, eles exitiam” (Clarisse Lispector). Mas como acreditar nela é mostrada em Alice de forma mágica como todo aquele toque de cinema.

Quem já leu o livro Alice no País da Maravilhas de Lewis Carroll, percebe que em seu texto não já essa menção ao impossível, porém todo o livro fala disso o tempo todo, ou as coisas acima acontecem cotidianamente? 

Uma relação livro e filme instigante é a percepção do eu, “Quem é você?” pergunta celebre que faz o mundo girar em nossa volta em busca de um eu, de uma identidade. Deixando um pouco de lado todas as relativizações que a ciências sociais propõe para essa frase. Detenho o pensamento a importância de saber quem você é, no intuito de deter alguns valores, seja lá quais, e ter uma personalidade. 

No livro essa relação de saber “Quem é você?” está estreitamente relacionado ao relação de Alice com o Gato, pois ele sabia as direções, mas Alice não saber para onde quer ir.

“Poderia me dizer, por favor, que caminho devo tomar para sair daqui?
Isso depende bastante de onde você quer chegar – disse o Gato.
O lugar não me importa muito... – disse Alice.
Então não importa que caminho você vai tomar – disse o Gato.” 

Senão sabe onde quer ir, não existiria um caminho “certo”. Essas lições/reflexões realizados no filme e no livro busca levar ao leitor uma construção de sentimentos, pensamentos, formas de agir.

Parece só uma Alicemania. Mas penso que é mais do que isso. O redescoberto encanto pela personagem inventada por Lewis Carroll e reinventada pelo mágico olhar do cineasta Tim Burton, não é apenas fruto de uma oportunidade comercial para fazer render as histórias do tempo das tetravós. O que seduz em figuras como Alice é, no fundo, o poder inesgotável que as histórias têm de representar o humano e de ajudá-lo a ser (ajudá-lo a maturar, a compreender-se, a crescer...). Este regresso às histórias mostra como a nossa cultura hiper-tecnológica e sofisticada, mas também solitária e abstrata, tem necessidade da força concreta, da emoção e da sabedoria das grandes parábolas.

O filósofo Walter Benjamin apontou o dedo à Modernidade dizendo que ela tende a eclipsar os contadores de histórias e que isso é uma perda irreversível, pois a arte de contar é a arte de transmitir não apenas conceitos, mas experiências, exemplos, modelos. Reler, recontar as histórias adormecidas faz o público deparar-se com situações que podem estar distante do cotidiano, porém sua forma de resolver e encarar a situação é que faz da história um exemplo para cada ouvinte, leitor ou apenas espectador.

Então deixo aqui as minhas seis coisas impossíveis para acreditar antes do café da manhã.

Um: O mundo vai estar em paz em algum momento.
Dois: Vou conseguir “““entender””” a humanidade.
Três: Serei mais paciente que ontem.
Quatro: Vou me dedicar apenas uma coisa.
Cinco: Que as pessoas podem ser boas, e querem um mundo para todos.
Seis: Eu posso...

E por fim fica a a Pergunta: “Por que um corvo é parecido com uma escrivaninha?”


terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Aquilo

Ouvindo (Vivendo do Ócio-Nostalgia ali)


O tempo...
Esse sim, mostra muita coisas!

Toda a felicidade, experiência, rotina acabam transformando aquilo em algo comum e não percebemos o quanto aquilo é especial.
Esse aquilo pode te definir, pode te moldar, pode te aproximar e distanciar. O aquilo faz parte da tua vida e simplesmente deixa de ser valorizado se torna um pronome demostrativo, um situação ordinária, uma rotina que não merece valorização excepcional.

O aquilo talvez seja o que você realmente é.

A busca por mais Eu faz você perder o aquilo e você deve buscar um outro excepcional. Mas o aquilo vivido fica na memoria e o passado se torna maravilhoso e o aquilo parece está lá, agora sendo experimentado por todos menos você que não faz mais parte daquilo. Ficando apenas a pergunta: como seria se eu tivesse naquilo agora com eles?
Valorize os seus aquilos, eles merecem, e não deixe ele serem ordinários, pois construir outros aquilos requer muito desprendimentos dos aquilos que te parecem serem seus e que você guarda.
Os aquilos foram vividos, uns mais intensamente e outros menos, mas todos são aquilos que a lembrança traz a cada momento.
Não enterre os aquilos e não esqueça deles. Pois eles são necessários para novos aquilos e para o tempo fazer sentido no seu passar.

É, o tempo...voltamos a ele.
Esse sim, ensina muita coisa!


sábado, 28 de junho de 2014

Rio em Chamas (filme manifestação)



Rio em Chamas é um filme-manifestação que fala da crise social por que passa a cidade do Rio de Janeiro e dos protestos públicos que se tornaram constantes desde meados de 2013. Como uma manifestação, é composto pelos múltiplos pontos de vista de seus vários realizadores, unindo testemunhos, ficção, registros documentais e animações, sem pretender apresentar uma visão totalizante dos acontecimentos que vêm se acumulando desde então, mas sim tomar parte deste momento.

Rio em chamas é um filme criado no calor do momento, na emergência dos acontecimentos. Capta os diversos climas que motivaram e motivam as manifestações que ocorrem na cidade desde de 2013, dando a elas legitimidade e se incluindo mesmo barco. Apresenta uma sequência de confrontos nas ruas, então temos imagens fortes de choque entre manifestantes e a policiais, um barulho inteligível, vozes misturadas, deixando evidente a agonia e o desejo por mudança. Tudo isso sai da tela e faz o telespectador se sentir no meio do conflito.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

O sofrimento


Was mich nicht umbringt, macht mich stärket.
Aquilo que não me mata, me fortalece.
O que seria da humanidade se não fosse o fato de termos sentimentos e sensações... pobres homens que amam, sofrem, são felizes, sofrem, tem família, sofrem, tem amigos, sofrem, são felizes, sofrem, fracassam, sofrem, superam, sofrem. É sofrem é uma carma do qual não estamos livres.

Nos últimos meses tenho percebido que um dos mais graciosos, cruel, deliciados e renovadores sentimentos é o sofrimento. Seria ele lado ruim do que é bom, ou um molde de régua para qualificarmos o bom e ruim?

Não sei como responder.

No entanto, sei que sofre se faz necessário para aprender a ser feliz, afinal como saberei o que é felicidade se não aconheço o seu oposto. Parece simples (e pode ser), mas como lhe dar com isso. Essa sensação de não, de fracasso, de desencaixe, de um cômodo que incomoda.

Como?

A dor é um caminho.

E nem tudo que nos faz sofrer e necessariamente ruim, assim, também, nem tudo que nos dá prazer é 
totalmente bom.

Considera o sofrimento algo ruim é questionável.

Caritas patiens est. 1 Cort. 13.4

Assista: Nietzsche e o sofrimento

segunda-feira, 14 de abril de 2014

"nem todo amor acontece a primeira vista" Hoje Eu Quero Voltar Sozinho (The Way He Looks)

Se uma palavra pudesse descrever essa obra seria sutileza. O filme do diretor  Daniel Ribeiro  que também assina o roteiro. Em 2010 o mesmo diretor lançou o curta Eu Não Quero Voltar Sozinho que já foi comentado pelo blog,  cuja a temática é descoberta da sexualidade por um adolescente cego e também homossexual de uma forma inusitada. Hoje eu quero voltar sozinho tem um aspecto atemporal, pois a mudança de comportamento entre os personagens varia entre o início da adolescência e a aproximação da fase adulta e o espaço, por mais que seja explicitado que se passa em São Paulo, os cenários poderiam ser em qualquer cidade grande.

Hoje eu quero voltar sozinho, como dito antes, é sutil e extremamente sensível, não apenas por seu personagem principal ser cego, mas pela forma como ele toca nas temáticas principais: conflitos da adolescência, bullying, sexualidade e cegueira.

Léo (Ghilherme Lobo), personagem principal, sente-se preso/vigiado pelos pais e busca a sua independência, como parcela considerável dos adolescentes. O superprotecionismo da mãe o incomoda e o leva a pensar a sair de casa por desejar ser a liberdade, claro que isso de forma não planejada, ficando no campo dos desejos. Eu entendi esse como sendo o grande tema do filme, por isso a mudança do título “Hoje eu quero voltar sozinho”.